Terminou de tomar o café e permaneceu sentado. Tudo rodava em sua mente, nada parecia tão vertiginoso antes. Ele imaginou que seria o café, porém, lembrou que não comia havia mais de 14 horas. Pediu um sanduíche de frango com creme à italiana.
Não havia tempo para comer, entretanto. Pedro não sabia o que faria nos próximos segundos. O tempo fechou.
Ouvia-se gritos por todos os lados, quando Pedro olhava para as pessoas via algo semelhante à blocos de notas com seus papéis voando para todos os lados, de maneira espantosa e interessante. Não sabia o que estava acontecendo, seu nariz sangrou, o tempo estava muito seco.
Levantou rapidamente da cadeira. "Puta que pariu o que está acontecendo preciso sair daqui. PORRA!" Levou um chute nas costas de alguém ou algum bloco. Caiu, sua mala o protegera de impactos maiores.
Quando Pedro se virou para cima viu aproximadamente 10 homens em sua volta, todos encapuzados e armados até o pescoço. Olhava ao redor e não via ninguém, ventava muito dentro da rodoviária, mas Pedro não sabia explicar o porquê.
Tudo parecia um pesadelo daqueles que tinha quando sua mãe sempre lhe contava histórias antes de dormir, há muito tempo. Pedro estava desesperado, mas ao mesmo tempo entusiasmado. O que será que fazia de Pedro um garoto tão importante nesses tempos? O que será que fez esses 10 homens evacuarem, por bem ou por mal, uma rodoviária de uma cidade tão grande dessas?
As dúvidas pareciam encarar Pedro com um ar de deboche. Parecia que Pedro já devia saber de tudo, ou, no mínimo, do motivo disso tudo. "O Bloco", pensou. "Alienado, Alienado!", gritava freneticamente em sua mente. "Ele nunca esteve em branco, eram códigos! Como nunca pensei nisso antes?!". Sua mente nunca esteve tão calma e pensativa, ele conseguiu pensar de maneira clara e objetiva, fazia tempo que isso não ocorria. "Eu fiz isso tudo sem pensar? Como isso aconteceu? Meu Deus", mas então lembrou que sua mente sempre entrava em conflito quando iria realizar alguma coisa, esse conflito era provocado pelos códigos que, quando lido por inteiro, os códigos não provocavam efeitos, mas quando lido parcialmente, os efeitos colaterais eram imensos: ordens pela metade que só seriam entendidas quando o código fosse lido completamente. Enquanto isso, os 10 homens permaneciam em pé, com um objetivo mais do que claro: capturar Pedro.
Ouviu-se um baque. O teto da rodoviária parecia quebrar, amassar, torcer, ranger como se nada fosse tão frágil. Viu a luz do dia como nunca. Estava mais claro do que uma folha em branco sendo atingida por raios de sol. Agora Pedro entendia a ventania, um helicóptero pairava sob o céu da rodoviária. Cordas saiam de suas portas, e então, começaram a amarrar Pedro.
Enquanto alguns amarravam Pedro, outros se preparavam pra subir e um homem, com uma faixa vermelha no braço, em contraste com a roupa preta, direcionou um tubo para o nariz de Pedro e então, o fez desmaiar.
*
Pedro acordou em uma praia, com mar forte e quente. Levantou, não tinha ninguém encapuzado ou hostil com ele. Foi até a rua, entrou em um hotel, e perguntou: "Me desculpe, qual é a distância daqui à São Paulo?". "Mais de 1000 km, senhor", respondeu a senhora ao seu lado. Pedro olhou, viu que a senhora parecia muito calma e atraente. Resolveu perguntar mais, só que devia tomar cuidado para não parecer maluco.
"O que a senhora faz aqui?" "Tenho um filho que trabalha neste hotel, ele gosta que eu faço rosquinhas pra ele e estou aqui né, entregando elas." "Ah, entendi. Deixe eu te perguntar, tem como o filho da senhora me arrumar um quarto nesse hotel? O ônibus que eu estava foi seqüestrado e roubaram as malas de todo mundo, e acabei por aparecer aqui, a polícia nem apareceu.", mentiu Pedro. "Eu vou falar com ele, você tem mais de 18 anos?" "Não, senhora, por isso peço a ajuda de seu filho. Preciso muito me abrigar, estou muito distante de casa" "Você tem dinheiro?" "Não senhora, perdi tudo durante a viagem, eles levaram tudo de mim".
Ela fez um sinal com a cabeça e os dois se dirigiram ao balcão do hotel. No balcão Pedro viu o noticiário: "Morrem 8 pessoas na UTI por falta de fiscalização da enfermaria, 13 carros são apreendidos na rodovia Rio-Vitória por apresentarem falta de inspeção, Estudos mostram que no Espírito Santo 30% são flamenguistas, Hoje é dia do eletricista, veja como parabenizar um pelo seu trabalho!"
Agora ele já sabia, estava em Vitória, no Espírito Santo. Agora sim tudo parecia não fazer sentido nenhum: tinha saído de casa por motivos irreconhecíveis, desmaiou e roubou um passageiro de uma caminhonete, tomou café em uma rodoviária e agora tinha acordado em uma praia no ES. Tudo isso devido as mensagens contidas naquele bloco. "E aí, cara, beleza?", cumprimentou Ulisses, filho da senhora. O nome escrito no crachá se referia a um antigo guerreiro troiano que Pedro lembrou, não sabia porque. "Tudo bem, na medida do possível. Sua mãe deve ter lhe contado o que ocorreu comigo né?" "Contou sim, posso te ajudar, cara. Mas preciso que seja discreto, vou te colocar em um quarto que ninguém usa direito, ele é meio escondido dos demais." "Você está me ajudando muito, muito mesmo".
Pedro subiu ao quarto, era o número 1142, no décimo primeiro andar. Ele ficava no fim do corredor a direita, perto de uma sala de jogos, era muito longe dos outros quartos. Entrou e tomou um banho daqueles, percebeu que só tinha uma roupa para usar. Resolveu lavá-las. Como o tempo estava quente, secariam em menos de 3 horas.
Pedro não podia ficar no hotel por tanto tempo. Não parava de pensar sobre o bloco e seus códigos subliminares que só ele conseguia ler, mas sem perceber. Imaginou que seria alvo de agências norte-americanas, Interpol, FBI, dentre outras. Adormeceu.
*Continua no próximo post*
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