sábado, 14 de novembro de 2009

Encaminhamentos

Ouvia-se: "Atenção, preparar para choque iminente. Atenção, prepar...". Pedro acordou assustado com a mensagem, homens entraram no quarto e o puxaram até a cama, onde um envoltório estranho e transparente começava a envolvê-los.

Ele não tinha tempo para pensar. Tudo era tão rápido, tão agressivo...
Motivos não faltavam para haver um ataque ao GR5: existia um grupo correndo atrás dos acodi's; os Bisus.
Ele escutou vários homens gritando - alguns em russo, outros em inglês - uns com os outros tentando formular tentativas de escape, parecia tudo tão difícil, tão impossível...

Foi quando houve o impacto. O GR5 não suportara, suas 'pontas' cediam uma à uma, causando uma depressão de água em torno do móvel imenso. Água e mais água entravam cada vez mais intensamente no GR5 e o 'tentáculo' onde Pedro estava começava a ser destruído também. Ele não conseguia entender o que havia provocado o tão grande impacto que faria este magnífico submarino ceder a este ponto.

O envoltório em que estavam - Pedro e mais dois integrantes do GR5 - o protegiam de praticamente tudo. Contudo, Pedro via que os homens olhavam aflitos para os relógios em seus pulsos, parecia que uma hora a proteção se desfaria. Enquanto isso, a ponta que estavam acabava de ceder e eles acabavam de entrar no leito marinho, escuro e desértico, protegidos apenas pelo estranho envoltório.

A cada momento que passava, Pedro se via mais perdido: passava-se e o tempo e nada de melhor acontecia.
Milhares de pontos luminosos apareceram diante dos olhos de Pedro, os homens ao seu lado, então, começaram a tirar de suas roupas equipamentos estranhos, parecidos com bugigangas de lojas de 1,00 real.

Os homens, então, iniciaram um tipo de...

***

Pedro se encontrava na porta de seu quarto no GR5. Via os homens que o deixaram ali indo embora, rumo à outra repartição. Na hora, gritou: "ESPEREM, ESPEREM!".

Os homens nada fizeram, continuaram caminhando. Pedro, então, apelou: "EU PREVI ALGUMA COISA! ESTAMOS CORRENDO PERIGO, VAMOS SER ATACADOS, OU ALGO DESSE TIPO!!! POR FAVOR ME ESCUTEM!"

Funcionou. Ulisses, em menos de 2 minutos, aparecera em sua porta. Pedro o louvou, nada era tão confortante. E então, ele contou à Ulisses o que vira. Imediatamente, Ulisses deu ordens em algum idioma desconhecido para os homens na sua retaguarda. Pedro sentiu o GR5 se mover em outro sentido.

Pedro salvara grande parte dos homens que estavam dentro daquele submarino gigantesco. Suas previsões eram bastante úteis. Menos para Ulisses: "Por que você fez isso, Pedro? Por que nos contou?". "Eu vi, eu iria morrer se ficasse caladinho esperando tudo acontecer!", retrucou Pedro. "Devo lhe dizer que corremos mais perigo agora do que antes.", falou Ulisses, em um tom muito calmo. "É claro que sua previsão nos salvou, e é mais do que certo que desviaremos daquela direção, mais preciso que entenda que suas previsões dão na cara de que está aqui. Nós temos vários destes aqui, Pedro. Nossos integrantes, em número, podem ser maiores que o Maracanã lotado em dia de clássico. Você deve saber, Pedro, que sua previsão acaba de dizer aos Bisus que você está conosco, que a arma mais importante do mundo, até agora, pertence aos GR5. Eles sempre dão ataques deste tipo, desses como mencionou na previsão. Gente nossa morre toda hora. Você ia ser salvo. Porém, não tenho a capacidade humana de esperar a morte. Por causa disso, tivemos de desviar a rota. Vamos à Índia." replicou.

"Não sabia que seria tão simples. Pensei que um ataque daquela maneira seria uma emboscada terrível. Mas tudo bem. Mas me diga, devo ou não lhes dizer as minhas previsões?" perguntou Pedro. "Faça o que o seu coração mandar, cara. Devemos fazer isso sempre. Mas fique tranqüilo, você estará a salvo em menos de 20 horas." disse Ulisses.

A viagem seguiu em frente. Tudo estava normal como antes e Pedro cada vez mais curioso para conhecer os outros acodi's e ver toda a estrutura de proteção que revestia o imenso grupo dos GR5. Mas enquanto isso, tinha de esperar 20 longas horas até atracar na Índia.


***


O sono de Pedro estava estranho, ele dormia mas não descansava como devia. A maioria das horas que estavam à deriva foram gastas com sonecas. Ele sempre quis dormir mais de 15 horas. O restante do tempo Pedro ficou navegando em sites na internet e ficou surpreso que nada sobre o que acontecia em relação à ele e ao GR5 estava presente ali. Era tudo tão secreto que ele imaginou que muitos homens morriam por revelarem alguns segredos.

Vozes foram ecoando até o encontro ao quarto de Pedro. Ulisses estava ali, com mais 3 homens, todos de preto, como sempre. Eles, então, abriram a porta e identificaram-se. Pedro estava muito ansioso, nada seria tão emocionante, visitar a Índia como fugitivo de grupos assassinos que desejam o fim da humanidade.

Ulisses, então, disse: "Pedro, está na hora, cara, temos que ir. Vamos ao QG dos GR5 aqui na Índia, não é o  maior, mas é um dos mais visitados.". "Lá tem comida, né? E a minha bagagem? Ah, falar nisso, por que você comprou aquilo tudo e não comi quase nada?" retrucou Pedro, bravo. "Calma, você verá por que." respondeu Ulisses. "Vamos."

Pedro não percebera que estava no subsolo, nem como tinha chegado ali, era muito misterioso como aquela 'nave' se movimentava. Haviam portas imensas justa-postas com o Grand Revolution Five, as portas se abriram e Pedro viu o que ele realmente não esperava. Um estacionamento gigante de um hotel. Apenas 3 homens e Ulisses acompanharam Pedro para fora do submarino. Ulisses, na frente, apontou o caminho. Chegaram em um carro cinza, bonito, que Pedro nunca vira antes na vida. Ulisses mandou todos entrarem e então, arrancou.

O destino parecia imprevisível. As ruas, lotadas de pessoas, hindus, comerciantes, se estreitavam cada vez mais. Ulisses, olhando para todo lado, o tempo todo, fez um sinal para o homen ao seu lado. Os dois tiveram a mesma ação: abaixaram-se. Um míssil muito veloz passou entre o teto do carro e os dois. Ulisses acelerou. O míssil havia batido com muita força em um prédio mediano e este desmoronou rapidamente. Pedro já se desesperava no banco de trás. Os dois homens ao seu lado pareciam muito calmos, porém, atentos.

Pedro imaginou que aquele carro devia ter alguma coisa, alguma tecnologia. Foi quando Ulisses disse: "Tivemos que pegar um carro normal por que se não descobririam-nos aqui, que merda. Mas fique tranqüilo, Pedro. Você ficará bem, temos alternativas. O QG está próximo... Rua 87, Moahsinn Khali, 30 graus a nordeste com cinco andares no subsolo, entrada sul. Estamos perto."

E o carro seguiu a todo vapor rumo ao endereço. Faltava saber como chegariam lá sem serem perseguidos...

*Continua no próximo post*

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Grand Revolution Five

A porta parecia escancarar. Mas não, Ulisses batia com veemência e Pedro escutava sua voz. Estava na hora.

Definitivamente, Pedro não estava pronto, estava nu, ainda não escovara os dentes, nem comera nada... "Estou fodido!", pensou.

Pedro então, vestiu suas novas roupas e abriu a porta. Ulisses o alertou: "Te falei para estar pronto às 7h!!! Ainda bem que bati aqui com 20 minutos de antecedência, Pedro. Não podemos cometer mais erros.". "Preciso só escovar os dentes e arrumar as sacolas, me ajuda?" disse Pedro. "É claro, estou aqui pra te ajudar... Vamos lá... Comida, roupas... aqui.". E assim, em menos de 5 minutos os dois estavam saindo pela porta do quarto. Pedro deu sua última olhada para o quarto, como se aquele fosse seu ninho de redenção durante a eternidade de quase dois dias.

A velocidade de pensamento era impressionante: "Como será a viagem não sei caramba será que vão me perseguir oh meu deus preciso de ajuda os bisus não podem me pegar...". A cabeça de Pedro era um turbilhão de idéias e ânsias. O medo ficava cada vez mais intenso e insuportável. Pedro sentiu vontade de pular novamente da janela do quarto do hotel... "Cara, acorda, cara!!! Temos que ir!", disse Ulisses. Pedro então se ligou novamente, estava viajando nas idéias longínquas de seu substrato cerebral.

"Por aqui, Pedro.", disse Ulisses. Eles estavam entrando no estacionamento do hotel, que por sinal, estava lotado de carros importados e de grande porte. Estavam num hotel de luxo, no mínimo, 4 estrelas. Se bem que o quarto não era lá essas coisas... Mas não importa.

Pedro se viu correndo nas janelas dos carros à sua volta. Ulisses dava passos largos demais que Pedro não conseguia acompanhar. Suas vistas começaram a atiçar movimentos repentinos e desastrosos como sintomas de ansiedade física e psicológica.

"Pedro, preciso que respire fundo. Vamos passar por uma situação desagradável, mas é necessária. No 3, Pedro. 1... 2... 3...Segure!"

Mas nada aconteceu. Pedro continuava ali, parado, no meio do estacionamento. "No 3, Pedro. 1... 2... 3... Segure!" De novo, nada ocorreu. Ulisses desesperou: "Oh meu Deus, o que será que aconteceu? O combinado era agora, às 7h30! Alguém corre perigo, tenho cert..." Mas o desespero foi momentâneo. Ulisses não precisou nem contar, agora, Pedro via que precisava segurar a respiração com toda sua força.

A pequena parte do estacionamento que estavam começava a descer, como um elevador, mas na medida que desciam, a água os rodeava e os tampava. Pedro percebeu que não estava mais com a sua bagagem, ela tinha ficado. Olhou para Ulisses desesperado apontando para cima e sinalizando que havia esquecido algo. Ulisses o acalmou.

Parecia que ficariam para sempre segurando a respiração. Os braços de Pedro começavam a se mover sozinho procurando uma saída no teto do estacionamento, mas eles só encontravam concreto e aço. Foi quando uma onda estranha os puxou para um móvel marinho. A força os puxou até a parede do estranho móvel e depois essa parede começou a girar, girou por 180º e então parou. Estavam dentro de algum lugar, a água começou a ser drenada e Pedro, finalmente, recuperou seu fôlego, juntamente com Ulisses.

A primeira coisa que Pedro disse foi que esquecera sua bagagem. "A sua bagagem vai pelo ar, e nós vamos pelo mar, ou melhor, pelo fundo do mar.", disse Ulisses. Pedro se sentiu extasiado, presenciava ali, um dos maiores resgates da história da humanidade, de acordo com seus livros de história.

O móvel aquático era maravilhoso, por fora e por dentro. Por fora, era uma "estrela" com cinco pontas, cada uma delas responsável por uma função vital. A primeira estrela que Pedro viu, pela janela, parecia ser responsável pela energia, via um buraco em sua ponta e um 'fogo branco' saindo dele. "Deve ser nuclear, ou algo assim, né?", perguntou Pedro. "Talvez.", disse Ulisses. "Já saquei, vocês não podem me falar como funciona isso tudo aqui, né? Para o caso de eu ser capturado?", entendeu Pedro. "Com certeza, Pedro. Mas preciso intimamente da sua ajuda agora. Preciso que use toda a sua habilidade! Responda este questionário aqui e depois me informe as letras que você marcou. É de suma importância." Mas o que Pedro não sabia, era que esse questionário resultava na senha para a saída do "tentáculo" que estavam.

Pedro via um questionário estranho. Com perguntas diversas, sobre física e até mesmo cinema. Respondeu cerca de 24 perguntas, quando Ulisses o chamou: "Tudo bem, já pode parar.", disse. Pedro não respondeu, só achou estranho, porque não teria que responder o restante. Ulisses ia anotando as respostas na mão e então, quando tudo ficou pronto, a sequência começou a ser recitada em voz alta, de maneira clara e simples. "E... B... C... A...", ia dizendo Ulisses.

Quando Ulisses chegou aproximadamente na vigésima questão, ouviu-se um baque. A porta começava a se abrir: cerca de 10 pessoas apareceram no setor paralelo, todas de preto com faixas vermelhas no braço; as mesmas que Pedro vira na rodoviária. Pedro ficou entusiasmado, ainda não sabia como foi que as respostas dele conseguiram abrir a porta, mas não interessava. Pedro queria saber de tudo.

As noções de tempo e espaço começaram a se perder. A velocidade com que deslocavam-se era surpreendente, mas Pedro não sabia medir. Olhava pela janelinha do 'submarino' e via montanhas rochosas imensas passarem rapidamente ao seu lado, de maneira hostil.

Os homens, encapuzados, levaram Pedro à um tipo de quarto, sem falar nada, mesmo com Pedro insistindo muito. Apesar da falta de educação, hora nenhuma os homens seguraram ou obrigaram Pedro à alguma coisa. Mesmo parando e dizendo que não seguiria em frente se não ouvisse a voz dos homens, eles nada faziam. Eram completamente disciplinados ao seu serviço.

O quarto era pequeno, mas interessante. Tinha 2 janelinhas que davam a vista para o tentáculo da energia e outra para um, que, segundo Pedro, "devia ser do comando". A cama era, de certo modo, um pouco pequena. Mas que com certeza o satisfaria pois contava com uma tecnologia diferente, que Pedro certamente desconhecia. O quarto, ainda, contava com um computador, ultra pequeno, e ainda um banheiro e uma TV, ligada às câmeras dos corredores do 'submarino', o qual Pedro chamou de "Grand Revolution Five", em menção à sigla GR5, que o salvara.

Os homens então, falaram. "Você não deve sair até segunda ordem.", falou o primeiro. "We are watching you", disse o segundo. Pedro logo percebeu que haviam estrangeiros à bordo. Restava a Pedro, pensar e fuçar nos equipamentos do quarto. No computador, Pedro não conseguia acessar nenhum arquivo, praticamente eles não existiam. A internet era estranha, ligava-se apenas a sites de notícia e de entretenimento que não exigiam cadastro ou qualquer tipo de identificação. A TV era pequena e só mostrava as câmeras dos corredores, Pedro mudava os canais, e as câmeras mudavam. Ele via a movimentação intensa dos 'homens de preto' nos corredores. Porém, não era capaz de escutar nada.

O tempo foi passando e Pedro foi ficando cada vez mais ansioso. Será que passaria o tempo todo de viagem ali, naquele quarto, sem contato com ninguém? Onde estaria Ulisses, que tanto o ajudou nos primeiros - e difíceis - momentos? As dúvidas eram cortantes, como sempre. O sono, no entando, era anestésico e necessário. Pedro então adormeceu, e as horas se passavam, assim como os continentes...

*Continua no próximo post*

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Decisão

A artimanha era clara, objetiva. Porém, Pedro não sabia quando ocorreria mais previsões, era muito  surpreendente. Tinha que dizer isso a Ulisses, entretanto, não sabia se podia confiar mais nele. Poderia ser um representante do Bisus disfarçado. "Mas se fosse, não teria lógica me soltarem na praia, me soltaram para encontrar Ulisses, só pode ter sido isso...", pensava Pedro.


A questão agora era: confiar ou não? Pedro tinha suas dúvidas, mas o que lhe restava a não ser confiar?
Decidiu confiar, e não fugir, como Ulisses pedira na previsão.


Pedro se encontrava na frente da janela de seu quarto. Ele tinha que repetir tudo o que ocorrera para que tudo continuasse normalmente. Ele tinha de pular.


O medo tomou conta do corpo de Pedro, a adrenalina parecia desfalcar seus dentes como se fossem martelos de ouro. "Tem que ser agora!", insinuava Pedro. E então, um sentimento estranho e uma vontade de pular imensa tomaram conta do seu corpo, parecia que Pedro não era dono da sua "caixa de carne".


Saltou da janela, viu o chão se aproximando cada vez mais rápido...

Nada. Foi o que aconteceu: Nada. Pedro pulou, mas continuou lá em cima. Parado. Pulou de novo. O chão agora era um imenso quadrante de uma quadra de tênis, ele se sentia como uma bola. Continuou no apartamento. Pedro ria, ria, não cansava de rir. Pegou a toalha, amarrou na janela e enforcou-se. Pedro ficava cada vez mais vermelho. Desesperou-se, começava a se debater como nunca. Será que iria morrer agora? Será que eram imaginações na janela do apartamento? 



Foi quando Ulisses entrou correndo pelo quarto. Desamarrou-o. Enérgico e assustado falou: "Ouviram alguém se debatendo aqui nesse quarto! Não sei como foram ouvir, Pedro, esse quarto é muito longe!" "Pelo amor de Deus, você queria se matar?". Pedro contou tudo a Ulisses. Sabia que era uma pessoa confiável, mas não sabia porquê.


"Calma, cara", disse Ulisses. "Você deve ter ficado transtornado por não ter passado todas as folhas do bloco e deve estar imaginando que ele te manda códigos... Quando você passava todas as folhas o que acontecia?"

"Eu ficava feliz cara, só isso. Era como se fosse uma droga pra mim... Não sei o que me deu para esquecer dele aquele dia...", lamentava Pedro."Enfim, ele me provoca. Eu lembro que quando eu dormia, sonhava com ele... Já queria que chegasse o outro dia para poder ficar perto, estranho né?" "Era como se o bloco me controlasse..."

"Era um vício. Porra, cara, nunca vi ninguém falar sobre isso...", sussurrava Ulisses. "Mas cara, o que fez aqueles caras te buscarem numa rodoviária em São José dos Campos e te trazer aqui, em Vitória?"

"Definitivamente, não sei. Eu estou perdido, cara. Não tenho pra onde ir, estou sem dinheiro, sem roupas... Eu estou ferrado, cara." sofria Pedro.

"Fica tranqüilo." disse Ulisses.

E então Pedro viu Ulisses discar o telefone do quarto, alguém atendeu.

"Fala, Ferdinando. Beleza?" (...) "Deixa eu te falar, vou tirar semana que vem de folga... Tô querendo dar uns passeios pelo Rio. Ajeita lá os papéis pra mim. Vou buscar aí amanhã de manhã, certo?" (...) "Então beleza, Ferdinando, até mais cara." despediu Ulisses.

Pedro não acreditava no que estava vendo, só podia ser papel do destino.

"Eu tinha que ter certeza que seria você", surpreendeu Ulisses. "Eu mandei o GR5 te pegar lá em Campo Grande, ninguém sabe disso, nem minha mãe."

"O QUÊ? VOCÊ QUE ME TROUXE AQUI?" gritava Pedro.

"Fale baixo, estão te procurando o tempo todo. Eu estou do seu lado, cara. O GR5 sempre esteve do lado dos acodi's. Estamos te salvando." sussurrou Ulisses, dessa vez mais baixo do que anteriormente.

Pedro corou. Não sabia o que dizer... Ele simplesmente era um tal de 'acodi' que estava sendo protegido por um grupo chamado GR5... "Deve ser mais um sonho", pensou.

"A partir de agora, Pedro, você é visado pelo mundo inteiro. Você tem uma capacidade incrível, que ainda desconhece. Milhões de pessoas são sujeitas a esse teste do bloco, apenas algumas são escolhidas por apresentarem o DNA necessário. Nós, do GR5, o protegeremos de um grupo chamado Bisus, eles têm como objetivo usar os indivíduos portadores do gene 237-X para construção de armas biológicas mentais, para a sua surpresa, essas armas podem matar pela TV, pela INTERNET, ou até mesmo pelo rádio. Mensagens subliminares podem matar pessoas, e o que os Bisus precisam, está dentro de você cara." disse Ulisses.

Pedro não falava. Olhava sem precedentes para a porta, esperando a qualquer momento algum homem entrar e levá-lo, sem qualquer tipo de reação.

"Mas parece que você é diferente, Pedro. Até agora a GR5 teve contato com 12 acodi's, você aqui no Brasil, 3 nos EUA, 2 no Canadá, 5 na China, e até agora, 1 na França. Você é o único que apresentou os sintomas tr4. Você consegue prever o futuro. Mas por enquanto, só eu sei disso. Esses sintomas já apareceram em um acodi há 50 anos, mas ele morreu de Insuficiência respiratória, devido a este mesmo vírus Influenza que circula hoje. Além de prever o futuro, você possui características comuns de todos os acodi's: lê códigos invisíveis." continuou Ulisses.

Pedro continuava calado, era um garoto 'de ouro'. Não sabia mais o que fazer, em quem confiar. Ulisses podia muito bem o estar enganando...

"Se por acaso você estiver previsto isto, por favor, não fuja." disse Ulisses.



Era tudo tão estranho. Se Pedro quisesse realmente fugir, não teria chegado a esta parte da conversa... Isso o intrigava. Resolveu perguntar.


"Por que me pediu para não fugir sendo que você mesmo faz seu presente e seu futuro? Não teria como eu prever a sua fala desse modo... Teria?" perguntou Pedro.


"É porque na minha cabeça, eu iria falar isso pra você, igual falei agora, e você previu isso... E nós, do GR5, fazemos isso, pensamos nesse tipo de fala, com todos os acodi's para sabermos se eles possuem essa sua qualidade de prever o futuro. Daí, quando eu te salvei do enforcamento, teoricamente, já veria que você decidiu não fugir, porém, tenho que completar todas as etapas do que pensei, para que crie uma identidade lógica das suas previsões. Ensinamentos essenciais do GR1, grande grupo."


"Pois não fugi, estou aqui, com você"."Fiz tudo como devia ser feito, caramba, não sei como isso dá certo..." disse Pedro.


"Muito Obrigado, Pedro" disse Ulisses. "O levaremos amanhã de manhã para a base de Montreal, no Canadá. Por enquanto, o lugar mais seguro do momento. Vou comprar mantimentos e roupas para você e trago aqui até o fim do dia. Preciso que fique calmo, vocês, acodi's, estão completamente seguros nos lugares em que estão. Este hotel tem mais componentes do GR5 espalhados e escondidos nos quartos. Caso ocorra alguma situação emergencial fique onde está. E por favor, não se enforque novamente, a não ser que prevista algo que necessite disso."


"Por que comigo?" lamentou Pedro.


"Grandes poderes necessitam de grandes indivíduos, Pedro, você é o cara para isso." contrariava Ulisses. "Te vejo à meia noite. Fique bem." 


Ulisses saiu muito calmo, aliás, a tranqüilidade daquele indivíduo irritava Pedro. No entanto, sabia intermitentemente que poderia confiar no tal guerreiro Grego.  


Restava a Pedro esperar. Meia noite Ulisses chegaria com mantimentos e roupas para o frio do Canadá. Pedro encarava toda a situação como um pacote de férias, o perigo da viagem nunca passou pela sua cabeça nas 6 horas esperando Ulisses.


Dormiu. Acordou com batidas na porta, era Ulisses. Assim como prometido, eram 00:02. Pedro acordou lentamente e foi observar o que tinha nas sacolas.


"Está tudo aí, Pedro, comida enlatada, bolachas, água e frutas. De roupas, trouxe jeans, blusas de frio, casacos, gorros, luvas, meias e alguns tênis, para você usar, tudo deve estar na medida. O Júlio me ajudou nisso, na entrada desse quarto coletamos seu sangue, sua altura, peso, e fizemos uma análise primária do seu cérebro. Júlio é o responsável por essa parte, ele que instalou o sistema de coleta na sua porta. Tudo tinha que ser assim até sabermos da sua decisão final, de vir com a gente." disse Ulisses.


Pedro resolveu confiar, olhou uma sacola entreaberta com um pacote de bolacha, abriu-a e ofereceu uma a Ulisses, que não aceitou e logo foi se despedindo e dizendo que era para Pedro estar pronto as 7h da manhã do dia seguinte.


O sono veio de maneira instantânea. Parecia que Pedro estava começando a gostar daquilo tudo, mas não sabia o que lhe esperava...


*Continua no próximo post*