sábado, 11 de agosto de 2012

Sobre o país do "vexame" olímpico.



Esporte é uma coisa séria. Esporte é o meio de sustentação de milhões de 
atletas no Brasil e no Mundo. E a principal maneira de conseguirem se sustentar é ganhando títulos e gerando audiência.

No Brasil, o futebol MASCULINO é o esporte mais popular (e quando digo masculino, é porque o feminino sequer existe pra população, que só torce e acompanha em momentos de olimpíadas e mundiais). Talvez, ganhando de longe do basquete, do vôlei e de outros. Os campeonatos desse esporte estão cada vez mais competitivos e vão gerando mais dinheiro a cada ano. Dessa forma, os atletas desse esporte possuem mais chances de se dar bem do que o dos outros esportes. Mesmo aqueles que estão em séries mais defasadas, como a B e a C. 

No Brasil, o atletismo, por exemplo, depende muito da atuação de empresas que patrocinam atletas de forma altruísta, pois, a não ser no momento olímpico, esses atletas passam 3, 4 anos no escuro, sem ninguém saber deles, sem ninguém QUERER saber deles. Não trazendo praticamente nenhum resultado significante de promoção para as empresas.

Na natação, temos alguns clubes que treinam atletas, mas possuem estruturas ruins, má organização, falta de ética... Alguns clubes conseguem formar grandes atletas de judô, que a maioria só começa a saber quem é quando começa as olimpíadas. As vezes, a Superliga de Vôlei comporta jogos fantásticos desse esporte que são, não tão frequentemente, transmitidos nas primeiras horas da manhã de domingo, um horário não nobre e que é de baixa audiência. O NBB, campeonato nacional de basquete, também gera jogos em horários de baixa audiência apenas em TV fechada. A TV aberta nem sequer transmite. Sem falar na ginástica... Não existe nenhum programa esportivo sobre o esporte e nem sequer sabemos quando acontecerão campeonatos nacionais, regionais e etc. Temos ainda o Badminton, o tênis de mesa, o levantamento de peso, e inúmeras outras modalidades que o brasileiro só sabe que existe nas Olimpíadas.

Nós, como população brasileira, não nos importamos com os atletas de atletismo, da ginástica, da natação, até mesmo não nos importamos tanto com o basquete e com o vôlei. Ficamos sabendo, em maioria, de como estão os esportistas (fisicamente, psicologicamente, etc) no momento olímpico. E falhamos olimpicamente nisso.

E ainda assim, os criticamos, comentamos, ressaltamos o quanto esperávamos daqueles. Na verdade, temos que tentar entender da onde vem esse ato patriótico momentâneo. Não apoiamos os atletas durante 3, 4 anos de treinamento, dando audiência a eles, pedindo transmissões de outras modalidades na TV aberta e fechada, suportando e motivando-os em suas páginas na internet e em redes sociais e ainda nos achamos no direito de ser exigentes nessa hora?

E aí, quando estão em suas fases mais importantes, estamos prontos para criticar. E quando não criticamos eles, criticamos o governo, as entidades públicas e tudo mais. Mas é claro que essas entidades e o governo não fazem nada, NINGUÉM PEDE! (a não ser no momento da derrota e da desolação...)

Temos que entender que também é nossa culpa. Antes de 2016, podemos mudar um pouco isso. Talvez, podemos começar a ajudar, por exemplo, seguindo um atleta do salto com vara no twitter ou no facebook, motivando ele, mostrando apoio para seus 3 anos seguintes de luta para melhorar seu desempenho. Podemos entrar em contato com a prefeitura da cidade que ele treina, pedindo suporte e investimento.

Podemos ligar na Globo e pedir a transmissão de algum campeonato de ginástica ou de natação. Isso tudo podemos fazer e está ao nosso alcance!

Existem coisas que podemos mudar. Outras, nunca vão. Isso é palpável de mudança e não é culpa do governo. O governo é REFLEXO da sociedade.

Pense nisso. Nós também somos atletas olímpicos. E, pensando bem, o vexame talvez tenha sido nosso.



Abs,

Raphael C. Rosa




PS: O futebol masculino foi vexame mesmo. Olímpico.
PS2: Fora, Mano.