O telefone toca.
Pedro pula da cama, se vira, olha, escuta. "Está ali". Atendeu.
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Novamente, tudo escureceu. Parecia o efeito daquele gás que Pedro teve contato na rodoviária.
"Amarre-o", dizia o capitão de preto. Pedro agora estava confuso. Olhou para os lados, ventava muito. Ele voltara a rodoviária. O que era aquilo que tinha acontecido, Pedro não sabia. Agora ele sentia, estavam puxando-o para cima, direto ao helicóptero. Desesperado, Pedro imaginava o que poderia ter acontecido. Enquanto isso, ele viajava rapidamente pelos céus demasiadamente azuis do Brasil que tanto idolatrava.
O destino parecia estar chegando, os homens agora falavam mais do que o normal. Parecia um plano.
A noite chegava, e cada vez mais Pedro sentia-se louco. Deram-no uma barra de cereal. Sem hesitar, Pedro aceitou-a e a ingeriu depressa, sem rodeios. Sentia o pessoal de preto olhando mas não estava nem um pouco preocupado, estava com fome. O Sol apareceu ao Leste. Sentia um calor mormacento se aproximando, viu o mar. "Puta que pariu, pra onde foram me levar!". Tentou olhar para trás, viu um homem se mov...
Acordou na praia, assim como tinha "sonhado". Será que agora poderia fazer o que quisesse? Será que Pedro sonhou com o que iria acontecer? Se ele resolvesse fazer diferente o que aconteceria? Essas dúvidas eram estranhas. Pedro se sentia problemático, autista. Um emblema que não é normal. Uma pergunta estranha: Será que eu controlo meu futuro?
Necessariamente, do outro lado da rua, viu uma velhinha entrando no Hotel, justamente como tinha previsto. Pedro não hesitou, fez tudo como devia. Conseguiu o quarto, tomou banho, lavou as roupas...
Mas tinha alguma coisa estranha... "Por que aqueles caras me trouxeram aqui, em Vitória?", pensava Pedro.
Ele sabia que o telefone tocaria cedo, mas agora não sabia se ele conseguiria dormir, de tanta ansiedade devido ao telefonema maldito que não chegava. "Se eu não dormir, o telefone não toca", imaginava. "Tenho que dormir", pensou, e imediatamente pensamentos sobre FBI, Interpol e agências de inteligência do mundo todo vieram a sua cabeça, "Devem estar atrás de mim, com certeza", "Sei de alguma coisa que ninguém sabe, ou tenho alguma coisa que ninguém tem". Adormeceu.
O telefone toca.
Pedro pula da cama, se vira, olha, escuta. "Está ali". Atendeu.
Era Ulisses. Dizia que o café estava servido, e que se Pedro quisesse poderia tomar o café daquele dia no hotel mesmo. Pedro se sentiu demasiadamente aliviado, mas ainda assim pensativo. Desceu incrivelmente limpo, com roupas lavadas e bem postado. Tomou o café como se nunca tivesse comido antes.
Quando Pedro estava servido, resolveu falar com Ulisses. "E aí, cara, como está hoje?", perguntou Pedro. "A h cara, depende do ponto de vista, ultimamente eu tenho trabalhado até de madrugada...", respondeu Ulisses.
O helicóptero imediatamente veio a sua cabeça, resolveu perguntar. "Você trabalhou no dia que eu cheguei de madrugada?" "Sim, porque?" "Viu alguma coisa estranha na rua? Talvez aqueles ladrões passaram por aqui", mentiu Pedro. "Uhn... Escutei uns barulhos estranhos sim, como se houvesse um helicóptero pairando ali na praia! Deviam ser gases das gordas que resolvem correr aqui no nascer do sol!" ria Ulisses. Pedro se assustou. Parecia que não havia caído na real ainda. Havia mesmo um helicóptero que o soltara ali na praia. "Mas porque?", pensava Pedro. Nada o fazia acreditar. "Conspiração? ET's? EUA? Guerra?", era tudo tão distante...
Foi quando chegou um cliente. Ulisses imediatamente se voltou para o cliente. Era alto e muito branco, de terno e óculos escuros, estes que pareciam muito com que Pedro roubara na rodoviária mas que perdera quando foi abordado pelo pessoal de preto.
Pedro despediu-se de Ulisses e subiu ao quarto. Lá, usou caneta e papel para formular teorias de como ir embora, afinal, não sabia o que tinha de fazer. Imaginação era o que não faltava. Queria ligar para a polícia, para o governo estatal, para o município e denunciar tudo que passou. Assim seria salvo, pensava. Só que alguma coisa o fazia pensar de maneira diferente, alguma coisa o incomodava por dentro... Saltou da janela, viu o chão se aproximando cada vez mais rápido...
Nada. Foi o que aconteceu: Nada. Pedro pulou, mas continuou lá em cima. Parado. Pulou de novo. O chão agora era um imenso quadrante de uma quadra de tênis, ele se sentia como uma bola. Continuou no apartamento. Pedro ria, ria, não cansava de rir. Pegou a toalha, amarrou na janela e enforcou-se. Pedro ficava cada vez mais vermelho. Desesperou-se, começava a se debater como nunca. Será que iria morrer agora? Será que eram imaginações na janela do apartamento?
Foi quando Ulisses entrou correndo pelo quarto. Desamarrou-o. Enérgico e assustado falou: "Ouviram alguém se debatendo aqui nesse quarto! Não sei como foram ouvir, Pedro, esse quarto é muito longe!" "Pelo amor de Deus, você queria se matar?". Pedro contou tudo a Ulisses. Sabia que era uma pessoa confiável, mas não sabia porquê.
*Continua no próximo post*
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