Quinhentas vezes soprando um pedaço de madeira. Distraído, enclausurado pelo vento, Irineu despercebe a natureza.
Chamariz de percepções alheias: um grão de areia atravessa o súbito mar de vento e atinge as pálpebras de João. Quantas vezes ele vai se machucar para que aprenda a usar óculos? Ah, João, o Irineu tem trinta vezes mais vontade de trabalhar do que você.
Algumas vezes João evita dizer sobre leões. Algumas vezes Irineu se irrita com João por falar sobre leões. Todas as vezes os dois sopram madeiras. Sopram quinhentas vezes um pedaço de madeira.
A quinta vez que soube dos momentos foi a mais importante: aqueles leões sabiam se cuidar! Não mais importante, um soco na cara. João aprende que deve usar óculos.
Irineu gosta de cavalos. Um dia forçou tanto sua égua que quebrou-lhe a ferradura. João prometeu consertar. Mas os leões...
Soco.
Hum. Essa comida está muito boa. Irineu fazia uma costelinha de porco maravilhosa, que João comia todas as terças e quintas-feiras no período vespertino.
Nem por aqui, nem por ali. Era segredo o caminho para a cidade.
Irineu gostava da cidade.
Trem.
Leão.
Soco.
Pessoas. Música.
Porque Irineu e João estavam na cidade? Irineu tinha acesso ao segredo.
O segredo é estar na cidade?
O segredo é o segredo.
Juntos eram formidáveis. Faziam caminhadas vendendo madeiras. Madeiras. Vendendo. Venden. Vend. Ve. V.
Acabou a madeira.
Trem.
Trem.
Trem.
Boi.
Irineu era pago por soprar madeira. João também. Irineu era pago por ir na cidade, já que vendia madeira. João não. João era chato. João era braço. E boca, João era boca também. Boca com Pulmão. Mas João era só isso. João não era o Leão que dizia. Soco.
De cara pro vento, areia nenhuma atinge Irineu. Irineu é experiente. Irineu tem muitos anos de vida.
Foi aquela vez que estavam falando sobre eleições. Sobre como era difícil viver na roça. Sobre as mulheres que só viam na cidade.
E João perguntou, súbitamente: Por que não mudamos pra cidade?
Soco.
Briga.
Irineu gostava da roça.
Irineu mandava em João.
Irineu sabia o segredo.
Não haviam motivos para que Irineu mudasse pra cidade.
Briga.
João.
Despedida.
Irineu ficou sem João. João ficou sem Irineu.
João não sabia o segredo.
João não sabia ir pra cidade.
João não sabia viver sozinho.
Volta.
Irineu está com João.
Irineu está feliz...
João está...
LEÃO!
Abraço.
Para todos aqueles que no fim, fazem o que é certo.
Um grande abraço a todos.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Inocência
Um grão de riso,
inesperado e criativo,
pra boca gorda e viés
da malícia...
O objetivo sempre foi
fazer rir, claro...
Ou não.
Foi fazer créditos.
Entorno de piadas:
um cacique, amarrotado
de facas, afiadas
cortando. Inevitável.
Inocência pra trás
de um terrível
final e habitual
engano.
domingo, 18 de julho de 2010
A água interrogada
Quantas vezes matou?
Várias.
Quantas vezes limpou?
Várias.
Quantas vezes tampou, sufocou?
Muitas.
Ah, água.
Cadê a porra da minha casa?
*Homenagem a todos que tiveram suas casas/locais destruídos por conta da água e de enchentes.
Comicídio
É A HORA!
Juro que serei digno
meu comício é
verdadeiro,
derradeiro,
inteiro sem cheiro!
deu errado, merda.
Socorro, atletas.
Minhas pernas não urgem,
morrerei sem pé, sem fé, sem café...
Porra, e nunca me ofereceram água!
Juro que serei digno
meu comício é
verdadeiro,
derradeiro,
inteiro sem cheiro!
deu errado, merda.
Socorro, atletas.
Minhas pernas não urgem,
morrerei sem pé, sem fé, sem café...
Porra, e nunca me ofereceram água!
terça-feira, 16 de março de 2010
Verde e lilás
O grande Rapaz
Verde e lilás
nunca imaginou
o que lhe restou
Grande foi a vida
e a triste crise,
de um rapaz
verde e lilás
"Quero ser maior",
dizia, assim.
Maior ficou a sua
tristeza, enfim.
Aliás, o rapaz
verde e lilás
era ativo e criativo
porém,
o rapaz era
verde e lilás.
Verde e lilás
nunca imaginou
o que lhe restou
Grande foi a vida
e a triste crise,
de um rapaz
verde e lilás
"Quero ser maior",
dizia, assim.
Maior ficou a sua
tristeza, enfim.
Aliás, o rapaz
verde e lilás
era ativo e criativo
porém,
o rapaz era
verde e lilás.
domingo, 14 de março de 2010
Paciente
É duro demais ter
que ser paciente.
Geralmente, ser paciente
é ser gerente
de emoções.
Acontece que
num mundo de
hábitos estranhos,
ser paciente
é ser indecente.
Tudo fica aqui.
Homem, mulher
menos aqueles
que nunca arriscaram...
QUE PACIÊNCIA!!!
Foi, Foi
Um coiçe
A paciência é o limite
dos credores
da raiva!
que ser paciente.
Geralmente, ser paciente
é ser gerente
de emoções.
Acontece que
num mundo de
hábitos estranhos,
ser paciente
é ser indecente.
Tudo fica aqui.
Homem, mulher
menos aqueles
que nunca arriscaram...
QUE PACIÊNCIA!!!
Foi, Foi
Um coiçe
A paciência é o limite
dos credores
da raiva!
sábado, 13 de março de 2010
Guerra
O intuito sempre foi vencer
na medida do possível
querer, o bem dos
aflitos companheiros.
Homenagens à parte,
guerra faz parte.
Estranho é você,
que não gosta.
Sempre fui desse
-----------------
Guerra é o melhor
quebra-cabeça.
Fundadores da pátria!
não desliguem seus
celulares. A vibração
é fatal, final...
na medida do possível
querer, o bem dos
aflitos companheiros.
Homenagens à parte,
guerra faz parte.
Estranho é você,
que não gosta.
Sempre fui desse
-----------------
Guerra é o melhor
quebra-cabeça.
Fundadores da pátria!
não desliguem seus
celulares. A vibração
é fatal, final...
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Bendita seja a Coragem
Facilmente as pessoas falam
explicam, dizem
que mais tarde
farão algo
Gentilmente as pessoas erram
explicam, novamente
que mais tarde
farão (mesmo) algo
Mentalmente pessoas criam
a coragem de enfrentar
a juiz corrente
de forças maiores
Dificilmente pessoas fazem
de primeira
tudo aquilo que prometem
pois, se fosse assim,
coragem não seria dádiva.
explicam, dizem
que mais tarde
farão algo
Gentilmente as pessoas erram
explicam, novamente
que mais tarde
farão (mesmo) algo
Mentalmente pessoas criam
a coragem de enfrentar
a juiz corrente
de forças maiores
Dificilmente pessoas fazem
de primeira
tudo aquilo que prometem
pois, se fosse assim,
coragem não seria dádiva.
Assinar:
Postagens (Atom)