segunda-feira, 29 de abril de 2013

Você questiona as suas crenças e opiniões?

Eu não sei se deveria escrever esse post. 

Muitos vão me criticar apenas murmurando qualquer palavra de reprovação ou desgosto na frente do computador. 

Alguns vão falar publicamente, não porque querem discutir através de argumentos e do debate, mas sim por julgar estar participando de uma batalha: gladiadores das palavras, das atitudes, dos gestos cidadãos. 

Brigas. Até por quem faz melhor tal coisa. Até por quem respeita mais o outro. Ah, não sabia que "ser" melhor do que o outro e se sentir bem por causa disso era pré-requisito para a caridade e amor ao próximo.

Eu fico me perguntando se estou maluco. Se devo mesmo publicar o que passa por minha mente. Mas ao mesmo tempo acho que estou ficando mais são por me considerar muito normal ao ser maluco. 

Afinal, por mais clichê que seja, todos nós somos malucos. Alguns sabem disso, outros nem fazem ideia. Pelo menos sei do que tá rolando...

É... Quantas vezes nos deparamos com situações em que não conseguimos ter determinada posição? Um assunto polêmico, uma briga inusitada na família, um determinado momento no trabalho... Situações controversas, difíceis de serem controladas e entendidas.

Pois bem. Essas situações nos mostram muitas coisas. A primeira é que somos absolutamente despreparados para encarar contingências, sempre esperamos mais ou menos as mesmas coisas o tempo todo. A segunda é que por mais frios, racionais e inteligentes que sejamos, nunca vamos conseguir chegar à solução perfeita. Não porque não somos capazes, mas sim porque conseguir a solução perfeita é algo impossível. Sim, o impossível existe. E é presunção demais do ser humano achar que não.

Enfim. Esses dias uma situação desse tipo me afligiu a mente. E o tema, já bastante banalizado, foi a união civil homoafetiva. 

Creio que a maioria de vocês que estão lendo esse post já tem uma posição sobre o assunto. E já me adianto: eu ainda não tenho.

Os motivos pelos quais ainda não tomei essa posição são variados. E todos, absolutamente todos, fazem sentido apenas para mim. Sim, essa é a lógica da crença, ou prefira dizer, opinião, em um assunto no qual a ciência não é a melhor aliada. Direitos Humanos nunca foi ciência e nunca será. É uma questão de prática, poder e justiça.

Consideravelmente tivemos muitos problemas com a raça humana em geral. Escravidão dos pretos (ou negros, leia conforme deseje entender), banalização do sexo feminino, discriminação com homossexuais, e etc. Os Direitos Humanos, então, chegou para erguer entre esses paradigmas de crença uma ORDEM, uma justiça, que seja, para obter o controle sob as partes conflitantes.

Sim, o objetivo é propor igualdade entre os homens e mulheres, de qualquer cor ou etnia. Obter justiça entre os que se consideram excluídos e discriminados.

E que pena que os Direitos Humanos existem! Precisamos que uma parcela da elite intelectual mundial decida por nós algo que deve ser orgânico e natural. Enfim, é o preço que se paga por uma sociedade corrupta. Mas esse é tópico para outro post.

Vamos lá. Quando fiquei pensando no papel dos Direitos Humanos, percebi que absolutamente qualquer minoria, com as devidas reivindicações lógicas e justas, deve ter o seu pedido por "aceitação" considerado.

Afinal, a população em si, a sociedade, a cidadania, não é exercida durante uma decisão sobre direitos humanos e constituição. É uma decisão elitista, baseada em senso comum de um parlamento e não de toda a sociedade.

Por exemplo, a nossa Constituição Federal, feita em 1988, já conta com mais de 73 alterações em seus artigos. Isso é quase uma alteração por trimestre! Nos Estados Unidos ela foi modificada apenas 27 vezes desde 1787.

Beleza, primeiro não participamos das decisões que vão compor a nossa lei, a nossa Carta Magna de convivência social (sei que você vai falar que escolhemos representantes para escolher e decidir por nós - desde 1900 e bolinha as grande indústrias e bancos controlam as câmaras e senado. O Lobby político lá dentro é quase unanimidade - só não é porque alguns fingem não ver para não se assustarem)

Segundo que decidem MAL pra caramba! Que tanto de mudança é essa gente?!

Pra vocês verem... Vão mudar a lei do casamento agora. Por que?! Porque lá atrás o definiram como sendo apenas para pessoas de sexos distintos! Se houver algum erro, ele aconteceu lá atrás! Em 1988! 

Ok. Então vamos lá. 

Eu disse aqui que não sei que posição tenho sobre a união homoafetiva. Então agora vou dar alguns motivos por eu NÃO TER POSIÇÃO ALGUMA:

1) Os casais homossexuais são minoria em nossa sociedade. Minoria absolutamente declarada por pesquisas - mesmo que não confiáveis. A minoria, em normatividade, não possui nenhum poder de decisão. O voto por exemplo, é considerado pela maioria. Nesse caso, o papel é dos Direitos Humanos. E mais uma vez, os Direitos Humanos são formados através de uma elite intelectual do mundo. (perguntas como: quem são essas pessoas, onde estão e o que fazem ninguém sabe responder). Nesse caso, então, uma minoria está mudando a constituição sem autorização da sociedade em geral. Portanto, a mudança da constituição sem a devida consulta ao povo é criminosa. (assim como a lei das cotas e outras coisas...) 

2) O casamento, como nós conhecemos, foi algo criado pela Igreja Cristã e apropriado pela Constituição Federal. Portanto, utilizar os mesmos PADRÕES e LEGISLAÇÃO para algo novo, baseado em ideais contrários ao da fé cristã é absolutamente inconstitucional ao denegrir a imagem e a ideologia das pessoas que seguem esse tipo de crença. Nesse caso, como dito acima, o problema mais uma vez foi na criação da Constituição usando parte de uma criação religiosa como base. Ou seja, o casamento, nesses moldes e terminologia, não deveria nem ser criado. Um exemplo era a validez do "adultério" até 2004. Até essa data, era possível punir um cônjuge por infidelidade - mais um ideal TOTALMENTE cristão. Por isso, pensando logicamente, o "casamento" deveria ser extinguido a partir do momento em que a união homoafetiva for aceita.

3) Partindo da premissa dos Direitos Humanos, todos possuem o direito de ser feliz, desde que essa felicidade não invada a liberdade de outro indivíduo, instituição ou governo. 

Pensando dessa maneira, e levando em consideração que a família possui a guarda de seus filhos até os 18 anos de idade aqui no Brasil, e dessa forma, o direito de criá-lo e tratá-lo como bem entender, desde que não haja violência física e nem moral, a união homoafetiva afetará sim filhos de outros casais em geral, na escola os filhos de casais heteros vão se encontrar com filhos de casais homo e assim por diante. 

O contato entre eles será constante e nesse caso, os pais que não desejam esse tipo de relação, por terem absoluto direito de criar o filho, vão ter que "engolir". A família vai perder a autoridade ideológica e moral sobre o filho e dessa forma, terá sua liberdade invadida - isso já acontece, e muito, através de diversos contatos escolares, sociais e virtuais: o bullying, a influência dos amigos e as redes sociais definindo comportamentos... Porém, legalizar algo contrário à ideologia da maioria das famílias brasileiras é um crime (não se sabe se é maioria ou minoria ainda - pois não há nem sequer indícios de voto ainda), assim como falei acima, e portanto, deve ser algo VOTADO, decidido por meio do VOTO, pela cidadania.

Ok, vamos considerar então que você ache que o parlamento pode sim tomar essa posição sem nos consultar e/ou mesmo nos consultando que o lado a favor da união homoafetiva deve vencer, mas levando em consideração a premissa de Direitos Humanos citada acima, a sociedade então deve aceitar socialmente o incesto - ou sexo entre familiares de primeiro grau - e o sexo com animais. Por exemplo, essas duas situações sequer estão em nossa constituição. Mas a sociedade a reprova, de maneira quase religiosa, quando não há, baseando-se em argumentos e coerência, nenhum motivo para isso. Portanto, se você é a favor da união homoafetiva - direito humano em que uma pessoa exerce sem afetar diretamente a liberdade de outro indivíduo, você deve ser a favor da normalização do incesto e do sexo com animais (por exemplo). É difícil de acreditar nisso, né? Mas é assim que funciona, a não ser que queira ser considerado hipócrita e contraditório, né?

4) Mesmo entendendo que a união entre pessoas do mesmo sexo é algo absolutamente natural, não consigo imaginar, ainda, quais os impactos imediatos que os filhos adotivos desses casais sofrerão. Existem pesquisas que concluem de maneira incrivelmente distinta sobre isso. E nesse caso, não há alguma unanimidade na comunidade científica sobre isso. Portanto, não há resultados conclusivos. E assim, como as crianças são o futuro de nosso planeta, é muito importante descobrir se serão de alguma maneira, afetadas, como sabemos que acontece em creches, orfanatos, casais heterossexuais visivelmente sem condições, etc. O que precisamos saber é se isso vai ajudar ou piorar o futuro de nossas crianças, pois isso é de interesse comum e mais uma vez, deve ser decidido por todos. 

5) Não acharia nem um pouco estranho se houvesse um plebiscito sobre o tema. Afinal, teve até sobre as armas e tal. Não seria grande vergonha.

***

Deve ter sido uma tentativa frustrada de passar meu ponto de vista. Apesar de tudo, devo ter me expressado muito mal, mas espero que entendam que para se tomar uma posição deve-se analisar muito bem os fatos entorno dela. 

Se você leu até aqui, obrigado. Convido você também a deixar sua opinião abaixo para enriquecer os nossos conhecimentos sobre o tema.

Até mais!

Raphael Rosa

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