sábado, 6 de abril de 2013

Somos livres! Manifestamos e lutamos pelos nossos direitos!

Quantas vezes você parou em frente a TV e xingou aquele deputado, ministro, senador, presidente...?

Muitas, né?

Na verdade, pelo menos uma vez na vida você deve ter feito isso. Ou com o Collor ou com o Sarney. Considerando que você seja alguém ligado nos acontecimentos e tenha mais de 16 anos, né?

Agora, você com certeza deve ter um ótimo motivo pra ter feito isso, né?
O cara deve ter roubado dinheiro público, investido errado em algum setor do nosso país, feito contratos esdrúxulos com empresas fantasmas, deve ter empregado vinte familiares como assessores e secretários... 

É isso mesmo, os caras são uns ladrões. Canalhas. Não merecem estar naquela posição.

Você já deve ter visto na TV, nos jornais, nas revistas de grande circulação e no rádio... Nas redes sociais, no trabalho, na faculdade e na igreja. Em todo lugar escutamos e falamos sobre a canalhice do Marco Feliciano, do Renan Calheiros, da Dilma, daquele escroto do José Serra...

Todos nós odiamos esses caras. Uns mais que outros, claro. 

E aí começamos a fazer alguma coisa: lutamos pelos nossos direitos, pela justiça, pelo amor, pela igualdade, pela educação, saúde...

Lutamos muito, manifestamos, assinamos petições online (sic), gritamos nas redes sociais, falamos com nossos amigos no trabalho, na faculdade... Opa, peraí.

Voltamos à situação acima, certo? As manifestações aparecem na TV, no rádio e nos grandes jornais e revistas. As conversas do William Bonner e da (ex) Fátima Bernardes se tornam conversas do Augusto e do José na padaria.

Tá, mas Raphael, você não pode dizer que uma manifestação popular não atinge o governo!

Posso sim, aliás, isso já aconteceu tantas e tantas vezes. Na verdade, atinge quando o governo quer. E muitas vezes ele realmente quer!!! 

Ok, vamos por partes, você não deve estar entendendo o fio da meada.

Quando nos mobilizamos por alguma coisa, todos nós temos praticamente a mesma fonte de informação (como falei acima): em primeira mão, os meios de comunicação em massa - TV, rádio, jornais e revistas de grande circulação na web e em impressos - e também as redes sociais - que seus conteúdos virais, de relevância política, na maioria absoluta das vezes, são os mesmos dos meios de comunicação em massa.

São três coisas que fazem um conteúdo se espalhar na web e via boca-a-boca: o impacto, o humor e a CONTRADIÇÃO (ou conflito).

Como assim?

Na maioria esmagadora (99,99%) dos casos em que uma notícia, vídeo, conteúdo qualquer, foto, ou qualquer outra coisa viralizou na web ela possuia pelo menos um desses três fatores.

Pode fazer o teste. Pense em todos os memes que você já viu. 

Ok, agora vamos voltar ao assunto principal.

Já sabemos que conversamos sobre conteúdos impactantes, humorísticos ou conflituosos na maioria das vezes e que esses nos fazem MOVIMENTAR.

Nos fazem agir: compartilhar algo, conversar, criticar, gostar ou até mesmo sentir. Com certeza você não ficará indiferente.

Ok... mas se esses conteúdos nos fazem agir, então quer dizer que as notícias que passam no jornal nacional geram uma reação imediata nas pessoas? 

Isso mesmo! Esqueça sobre credibilidade, veracidade e respeito.

Quando vemos ou ouvimos algo que está sendo falado pela maioria do Brasil, refletido pela TV, rádio, Facebook, ou qualquer outro meio de comunicação, no MESMO MOMENTO, passamos a absorver aquela informação como senso comum.

Comum. Fato. Comprovado.

Beleza, então se a Globo amanhã passar um plantão de notícias no meio da tarde avisando que descobriram a cura do HIV, todos falarão disso nas redes e nas ruas, certo? Certo.

Uhn. Então agora você tem certeza que as grandes mídias exercem um certo efeito sobre nós. 

Agora, vou explicar pra você que elas PROVOCAM determinado efeito em nós.

Marco Feliciano é o maior exemplo disso: aparece todos os dias na TV e nos grandes jornais; as redes sociais só falam dele.

Enquanto isso, outros políticos ladrões e safados continuam lá em cima, fazendo o que bem querem.

Quanto mais protestarem contra o Marco Feliciano melhor. Quanto mais se preocuparem com essa crise fria entre as Coreias melhor. Quanto mais se distanciarem do real problema melhor.

E isso acontece através dos conflitos, da dualidade, do "bem e do mal", certo ou errado. Gays x Evangélicos, PT x PSDB, Apple x Samsung, Coreia do Norte x Coreia do Sul (EUA), Capitalismo x Socialismo, Ateus x Cristãos, Vegetarianos x Carnívoros, Funkeiros x Rockeiros, e por aí vai... 

As grandes mídias utilizam esses conflitos pra gerar confusão em nossa mente. Uma ilusão de que existe um lado melhor do que o outro, de que deve-se procurar um lado e não o EQUILÍBRIO, que é o mais sensato. Na verdade, pelos vários pontos de vista que existem no mundo, ter a pretensão de se dizer possuir a melhor opinião ou o melhor "lado" é no mínimo irresponsável.




A questão é que as grandes mídias e o senso comum costumam nos distanciar de nós mesmos, sempre colocando a culpa dos problemas do mundo em alguém, em algo determinado, específico, personalizado. 

Quando, na realidade, o maior problema da sociedade somos nós. Em conjunto. Tenho certeza que pelo menos uma vez na sua vida você já deve ter feito algo corruptivo, por coisa simples ou simplesmente para ganhar vantagem em algo: uma mentira (ou omissão estratégica, rs), uma manipulação, um preconceito - por menor que seja, uma rasteira, enfim...

Muitos dizem é a "selva da vida", a "selva do mercado", "os fins justificam os meios", dentre outras frases. Sim, você fura fila porque a padaria é desorganizado demais. Você cobra mais de determinado cliente porque sabe que ele pode pagar. Você favorece pessoas na sua vida que podem te beneficiar de alguma forma no futuro. Você mente para sua família. Você desrespeita pessoas que pensam diferente de você.

É claro que estou generalizando né pessoal. Mas a ideia é mostrar que temos os mesmos defeitos da galera que está no comando desse país. Só que lá os problemas são maiores, e os defeitos passam a ser abastecidos cada vez mais. A sujeira não tem fim. 

Quanto mais focarmos o problema neles, menos olharemos para nós mesmos.
Devemos entender que precisamos mudar o nosso íntimo, a nossa conduta, filosofia e razões de vida; precisamos conscientizar nossa família desse problema, nossos amigos e colegas devem saber do que está acontecendo com nós.

Nós estamos cada vez mais falidos. Sempre mais dependentes de comunicações massivas, redes sociais, conectar-se com outras pessoas, para nos aderirmos a sensos comuns, a ideias pré-formuladas, fáceis de digerir.

Precisamos nos libertar da informação mastigada. Do coquetel mortal e da lavagem cerebral que estamos sujeitos.

Eles querem ser o problema. A elite (políticos e governantes) quer ser o alvo. Eles sabem que isso não muda o mundo, só faz ficar cada vez mais igual ao que é hoje.

Temos a ilusão de que estamos lutando por algo diferente, mas lutamos pra ficarmos iguais. A raiz da sociedade (os bebês que nascem hoje) vai ser exposta à esses mesmos meios de comunicação massivos: TV, portais de notícias e principalmente redes sociais, onde acontece a maior ilusão do mundo (onde achamos que vamos encontrar informações relevantes e encontramos apenas o mesmo da TV e de grandes sites.)

A família e a escola têm papel muito importante no crescimento dessa nova geração. Devemos prepará-los para viver um mundo de respeito, consciência, caridade, razão e prosperidade. Se os filhos do amanhã crescerem com pais corruptos, desrespeitosos, inescrupulosos, violentos, manipuladores e ignorantes em conjunto escolas desestimulantes, com certeza teremos os políticos de amanhã piores aos de hoje.

A verdadeira manifestação ou luta está em nossa família. Vamos começar por onde realmente temos influência. Dessa vez, o objetivo é se tornar cada vez melhor.



Um abraço.

Raphael Rosa.











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