quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Destinos


Sem saber se estavam sendo perseguidos, os 5 homens seguiam à todo vapor. O carro, a qualquer hora, poderia ser alvo de um míssil muito rápido. Isso já havia acontecido, e, por sorte, ninguém ficou ferido.  Ulisses não estava nada confiante com relação ao fim desse trajeto. Por mais que parecesse instransponível, Pedro sentia que tudo poderia dar errado. O carro balançava muito, tinham acabado de entrar em uma estrada recortada, cheia de buracos. Logo logo estariam seguros no QG dos GR5, pensava Pedro, ou melhor, queria Pedro.

Passados cinco longos minutos, o asfalto voltou, e com ele as várias pessoas comuns às áreas de comércio. O caos chegou. Pedro conseguiu sentir pelo menos dois carros os perseguindo a toda velocidade, pareciam Porshes. Ulisses, porém, se sentiu aliviado, Pedro não sabia por quê. Tudo indicava que ele tinha um plano, infalível. A sua confiança era tão grande que transparecia alegria e ao mesmo tempo muita sabedoria. Pedro se sentiu tão bem que poderia pular para fora do carro que ficaria a salvo. No entanto, os carros continuavam muito perto e agora pareciam preparar algum ataque.  Ulisses o tranqüilizou, disse que os perseguidores não iriam os prejudicar, teriam que saber aonde era o famoso centro de comando na Índia. Pedro surtou, como se livrariam dos malvados Bisus?

Para Ulisses, a resposta era simples. Teriam que despistá-los. Pedro sentiu raiva, sabia que não seria tão fácil, pediu para que Ulisses fosse sincero com ele, e que detestava suavizações. Tudo acontecia em um tremendo agito. Os homens ao lado de Pedro estavam mais do que atentos, nunca ele vira pessoas tão fiéis ao trabalho como aqueles ao seu lado. Ele então, sem mais nem menos, teve uma idéia. Já que teriam que despistar os perseguidores, Pedro pensou em pular na água, pensou se os homens ao seu lado teriam aquele dispositivo que os englobava e protegia. Disse o que pensava no carro. Ulisses o vangloriou: “Você é um gênio, Pedro.” E então perguntou alguma coisa em russo ou em eslavo aos homens no carro, todos pareciam concordar. “Are you ready?” disse com fervor. Todos responderam que sim. Manobras complexas e completamente difíceis foram realizadas com prudência e sabedoria por Ulisses, os comerciantes ao redor ficavam perplexos com a perseguição. Até que, em um horizonte próximo, viram aquelas escadas – dos dallits - que desaguavam no mar. Antes do pior acontecer, Pedro imaginou como seria.

“Huldandaus! Hualdnadaun!”. Gritavam os habitantes, quando o carro atingiu a água com toda a força. Na mesma hora, todos tiraram os cintos de segurança. Por sorte, nenhum havia ficado preso. Os homens então, iniciaram um tipo de ritual. Tiraram dos bolsos pequenas esferas transparentes e as agitavam de maneira acintosa. Depois de alguns segundos o dispositivo funcionou. Uma esfera transparente e enorme havia englobado o carro e eles, e então, os homens começaram a olhar para os lados e para os relógios.
“Temos que nos esconder, eles nos verão aqui!” dizia Pedro, todo segundo. Nenhum dos homens respondia com palavras, gesticulavam apenas com o dedo na boca, pedindo silêncio absoluto. Pedro obedeceu. Nesse momento, homens apareceram vestindo trajes marinhos à procura deles. Ulisses olhava de maneira hostil, segura e atenta para os homens – integrantes dos Bisus. Os bisenses procuraram, procuraram e enquanto isso os escondidos olhavam à todo momento para o relógio, que já acusava 2 minutos de espera.
Tudo parecia perdido. Os bisenses certamente iriam vê-los quando a proteção acabar. Contudo, eles já davam indício de ir embora. Cada vez mais longe, os bisenses chegavam à superfície, e praticamente na mesma hora, o envoltório cedeu. Os homens ao lado de Pedro o agarraram e preparavam a emersão. Ulisses também, assim como o companheiro do lado. Pedro tinha sorte de gostar de água. Fora um momento complicado, que exigira muito fôlego.

Quando já estavam na superfície, Ulisses disse: “Pedro, agora temos que ir nadando, é muito perigoso andar pela cidade novamente. Você vê algum problema nisso?”. “Claro que não, sou bom em natação.” Respondeu Pedro. E então, seguiram. Por sorte, o Centro de Comando estava próximo dali, a 2 km.
Quando chegaram, o mar já parecia mais calmo, as ondas batiam nas pedras suavemente. Era a hora de escalar. Todos subiram a pequena montanha rochosa e chegaram a um vilarejo. Molhados, algumas pessoas ofereceram ajuda, mas que foram recusadas. Ulisses apontou um caminho e Pedro os seguiu.

Haviam chegado a uma pequena casa de pedra, com uma porta de madeira. Ulisses bateu de uma maneira diferente e ela se abriu, mas não de maneira mecânica, havia ali uma pessoa. Ulisses a cumprimentou, assim como os homens. Pedro sentiu que também o devia fazer e a moça lhe correspondeu. Havia uma mesa de madeira, com cadeiras luxuosas e confortáveis. Pedro esquecera que estava molhado e foi sentando de maneira natural, quando a mulher disse: “Não se preocupe, vocês devem estar cansados.”. Pedro corou. Tudo o que não queria era fazer exatamente o que nunca devia fazer em momentos como esse. Mas Ulisses interrompeu os pedidos de desculpa de Pedro: “Tudo bem, Jilah. Viemos pra reunião. Preciso só que me passe o código de hoje, e, por favor, deixe-me lavar esses tapetes, estão encardidos. Toda vez que chegamos aqui sujamos alguma coisa. Eu imploro e não aceito um não!”. A mulher disse, então, que era para ele pegá-los no próximo final de semana. “Vão vir ainda muitos integrantes essa semana, por causa da explosão.” Completou Jilah. ”O que? Que explosão?” disse Ulisses, surpreso. “Ah, Uli, você não ficou sabendo? Estourou uma revolta dentro dos nossos GR5 na China. Gente que não concorda com a nossa maneira de seguir com as coisas sabe? Acabaram que explodiram uma parte do QG de lá, mas agora está tudo sob controle, os safadinhos foram pegos e vão depor, acredito. Ah, mal me pergunte, mas esse acodi aí é muito novo hein? Tem quantos anos, menino?” disse a moça. “Ele tem 16 anos, Jilah, e é quem estávamos procurando esse tempo todo. Ele tem o fluxo de tr4 no setor 15-e. Ele tem pressentimentos, Ji.”. respondeu Ulisses. “Não acredito. Esse tempo todo procurando... Não foi em vão. Oh meu Deus... Vocês precisam ir logo, ele não está seguro aqui... Uli, dessa vez, hasuge hueduf jugetesoi, você consegue. “ aflita, disse Jilah.

Ulisses nem despediu direito, olhou com confiança para a mulher e seguiu em frente, puxando Pedro, os homens vieram logo atrás. Pedro se confundiu, ou o Centro de Comando não era ali? Resolveu perguntar. “Ulisses, você não disse que o centro de comando era aqui?”. “Ah, havia me esquecido.” E então Pedro viu Ulisses tirando um aparelho do bolso molhado e apontando para Pedro. O dispositivo fez um barulho e então Pedro apagou.

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